Foram muitos e muitos episódios de fugas, ataques e defesas. Lembrava-se destas histórias e as narrava, já velho, em alguns poucos momentos de descontração. Nunca gostou de falar sobre suas memórias na guerra e só o fazia quando os olhos insistentes das netas, da filha, do genro e familares imploravam. Comovia-se. Seus olhos marejavam. E ninguém mais insistia para que continuasse seus relatos.
1a história: SDK havia sido capturado e enviado para um campo de concentração na Sibéria. Ao contrário dos tantos campos de concentração exitentes, neste não havia cercas farpadas, cães farejadores e (muitas) sentinelas armadas. O motivo? Não havia para onde fugir. Centenas de quilometros de gelo a uma temperatura média de 30o célcius negativos. Não havia comida. Não havia vestuário que os aquecessem. Alimentava-se de penas de galinha, sobras do que era cozido pelos soldados inimigos (daí, sua repulsa, até o dia de seu falecimento, por qualquer receita que incluísse frango e galinhas - sempre afastava os pratos com asco e um grunhido de xingamento). Após 6 meses na Sibéria, junto de seu amigo, um tenente inglês, arriscaram a fuga. Escondiam-se e protegiam-se do frio e do vento dentro de buracos na neve (princípios do iglu). E conseguiram escapar.
2a história: Havia já reencontrado alguns de seus companheiros de pelotão. Precisavam fazer uma travessia sem serem vistos (óbvio). ZDK e alguns soldados esperaram até o anoitecer para percorrerem um pântano. Os sons daquele pântano o aterrorisavam. Sons de animais, sons que suas mentes ouviam, estimulados pela visão de uma paisagem nefasta, escura e horripilante. Instruiu seus homens a não olharem para os lados ou para trás. Os gases do pântano tornava a visão difícil e a imaginação fértil. Contava, já velho, que durante cerca de 2 horas de passagem este talvez tenha sido o momento de maior medo e pânico que viveu. Podia jurar que via olhos vermelhos que os observavam de dentro da mata enquanto faziam a ultrapassagem. E embora afirmasse que os tivesse visto, deixava um ponto de dúvida, já que o scotch barato que haviam tomado poderia ter deturpado um pouco a visão de suas mentes cansadas.
3a história: Sua frota havia tido baixas. Junto aos demais sobreviventes, precisavam chegar a outro lado de uma determinada ponte. A única opção eram que fossem nadando pelo rio. À noite, sem emitir qualquer tipo de barulho, pois sobre a ponte estavam dezenas de soldados nazistas. E foram. Detalhe: era início do inverno e as águas, na superficie, já estaval cristalizadas pelo gelo. Hipotermia e congelamento de pernas durante a travessia nadada foram alguns de seus obstáculos.
4a história: Estava no campo. Havia sido capturado pelos nazistas. ZDK e todos os prisioneiros capturados, após terem sido obrigados a cavarem suas valas, foram metralhados. Caídos nas valas, foram enterrados. Após a retirada dos soldados nazistas, civis/camponeses mortos de fome correram para as valas, no intuito de pegarem roupas, calçados e mesmo relógios, dentes de ouro, etc dos cadáveres (prática comum durante as guerras). Após cerca de 15 minutos considerado morto, ZDK via novamente a luz do sol.
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